terça-feira, 12 de março de 2013

Resenha do livro Brinquedo e cultura


Rosilene Ferreira[1]
            Brinquedo e Cultura trata-se de uma obra onde o brinquedo é um suporte entre tantos possíveis, isto é, o verdadeiro sujeito da pesquisa do desenvolvimento infantil. O brinquedo merece ser estudado por si mesmo, transformando-se em objeto importante naquilo que ele revela de uma cultura.
            Gilles Brougère é mestre de conferências e diretor do Departamento de Ciências da Educação da Universidade de Paris-Norte. Dirige, nesse departamento, um programa de formação em nível de 3º grau, único na França, consagrado à brincadeira e ao brinquedo. Graduado em Filosofia e em Antropologia, realiza pesquisas sobre o brinquedo e sobre as relações entre brincadeira, educação e a pedagogia pré-escolar. Nos últimos anos, vem desenvolvendo trabalhos de orientação acadêmica e pesquisas no Brasil, nesta área, sobretudo junto à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Suas principais obras são: Brinquedo e cultura (2007), Brinquedos e companhia (2004), Jogo e educação (1998) entre outros.
            A imagem do brinquedo sintetiza a representação que uma dada sociedade tem da criança, isto é, uma imagem do mundo destinada à criança e que esta deverá construir para si própria.  O brinquedo não só condiciona a ação da criança, mas também oferece um suporte determinado que ganhará novos significados  através da brincadeira.
            O brinquedo é formado pelo domínio do valor simbólico sobre a função, ou para ser mais fiel ao que ele é a dimensão simbólica torna-se a função principal. Contudo trata-se de um objeto que a criança manipula livremente, sem estar condicionado ás regras. Porém, a brincadeira pode ser considerada como uma forma de interpretação dos significados contidos no brinquedo, sendo assim, a brincadeira é uma atividade livre e que não pode ser delimitada. Ele socializa a criança o desejo através da brincadeira. Contudo, o brinquedo se insere na brincadeira através de uma apropriação, ou seja, deixa-se envolver pela cultura lúdica disponível, usando praticas de brincadeiras anteriores.
            A cultura lúdica dispõe de uma certa autonomia, de um ritmo próprio, mas só pode ser entendida em interdependência com a cultura global de uma sociedade especifica. A cultura lúdica não acontece do mesmo modo em todos os lugares onde a brincadeira é possível: na escola ou na sua casa, a criança utiliza aspectos diferentes de sua cultura lúdica. Sendo assim, a cultura lúdica está impregnada de tradições diversas, nela encontramos brincadeiras tradicionais no sentido escrito, porém talvez mais estruturas de brincadeiras reativadas, elementos, temas, conteúdos ligados à programação infantil ou á imaginação.
            É através do brinquedo que a criança entra em contato com o discurso cultural sobre a sociedade, realizado para ela, como é feito, nos contos, nos livros e nos desenhos animados. No entanto, é através do brinquedo que a criança se situa no universo do consumo, respondendo ás solicitações que lhes são destinadas, construindo uma estratégia diante da autonomia limitada que dispõe.
            A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto, de cultura, ela pressupõe uma aprendizagem social, isto é, a criança aprende-se a brincar. 
            A obra é concluída falando em relação à aprendizagem da criança com a brincadeira, pois a mesma aprende justamente a compreender, dominar, e depois a produzir uma situação específica, distinta de outras situações.
            Portanto, a obra é indicada para educadores sociais que encontram no brinquedo como um instrumento fornecedor de representações, estimulando assim a brincadeira que proporciona a criança um estímulo a uma imagem, socializando dessa forma o desejo através da brincadeira.

Fonte: BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. 7 Ed. São Paulo: Cortez, 2008.


[1] Graduanda do 7º período do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Alagoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário